|
Licínio Henriques nasceu a 16 de Junho de 1931, na vetusta aldeia de Ereira do Campo, concelho de Montemor-o-Velho e, aos dezasseis anos, mudou-se para Lisboa, onde trabalhou no comércio. Aos vinte e dois anos conheceu Maria Idalina Costa Silvestre com quem casou no dia 3 de Fevereiro de 1957, união que se manteve durante cinquenta e cinco anos!
“O Espiritismo das Catacumbas”
No período da ditadura salazarista trabalharam durante sete anos numa pequena célula espírita (onde conheceram Casimiro Duarte) ele, como médium psicógrafo e ela, como médium psicofónico.
Numa época em que não havia livros espíritas à venda e os trabalhos eram realizados na clandestinidade, esta foi a escola que lhes granjeou o conhecimento doutrinário, a experiência e a fidelidade à Doutrina. Mas o trabalho não se circunscrevia ao que era feito nesse grupo. Como não havia Centros Espíritas e os sofredores clamavam por ajuda, eram frequentes as deslocações para prestar auxílio a enfermos necessitados da caridade do passe magnético ou atormentados por obsessões cruéis - o Espiritismo ao domicílio - como afirmam a brincar. Quantas histórias, quantos relatos guardam nas suas memórias!
1974 – O início de uma nova era
Encerrado em 1952 pela ditadura salazarista, o Centro Espírita Perdão e Caridade reabriu as suas portas em 1974 e Casimiro Duarte chamou-os para dar continuação ao trabalho antes iniciado.
Com a instauração da liberdade, a Federação também reabriu. Eles estão presentes, neste renascer do Espiritismo em Portugal, contemporâneos de Isidoro Duarte Santos, Maria Raquel, Jorge Raimundo, Lima Rodrigues, entre outros.
No Centro, a sua ação estendeu-se desde a limpeza e conservação da casa ao trabalho doutrinário ou de natureza administrativa, fiéis ao legado que lhes foi confiado por Casimiro Duarte. Tendo agarrado a charrua, jamais olharam para trás, muitas vezes com o sacrifício da vida familiar.
O Chefe, como carinhosamente era chamado, figura querida, seja para os da velha guarda seja para os mais jovens, era um profundo conhecedor da Doutrina, estudioso e divulgador da obra do professor Herculano Pires.
O regresso
Licínio Henriques desencarnou no dia 25 de abril de 2012, depois de um período de doença em que a dor os convocou a mais um testemunho. Enfrentaram-na com paciência e resignação, fortalecidos por uma fé que se estriba na Doutrina Espírita, o Evangelho de Jesus redivivo, confirmando a imortalidade da alma e lembrando que a morte é apenas o veículo que nos transporta ao País da Luz.
Licínio Henriques combateu o bom combate e ruma agora em direção às estrelas…
Os Amigos do CEPC. |